Morto após covid, Maguito Vilela passou 2º turno sedado e renunciou no 1º dia

O ex-governador de Goiás Maguito Vilela (MDB) interrompeu a campanha pela prefeitura da capital pós ser diagnosticado, em 19 de outubro passado, com covid-19. Dois meses antes, ele havia perdido duas irmãs para o coronavírus. Ainda assim, manteve a agenda.

Internado desde então, Vilela foi transferido para o hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde precisou ser intubado em duas ocasiões e submetido a uma traqueostomia. Sedado a 898,4 quilômetros de Goiânia, ele foi eleito numa acirrada disputa no segundo turno contra Vanderlan Cardoso (PSD).

Ao fim da apuração, o candidato vitorioso estava com a traqueostomia, um orifício artificial em seu pescoço, e ligado a uma espécie de pulmão mecânico. Não sabia sequer que havia passado para o segundo turno. Após comunicar ao pai o resultado final, o filho, Daniel Vilela, disse ter observado o prefeito eleito, ainda debilitado, derramar algumas lágrimas.

Embora tenha apresentado melhoras, um sangramento pulmonar no dia 11 de dezembro obrigou Vilela a passar por nova cirurgia para controlar a hemorragia. Foi novamente sedado.

Diplomado à distância, e por meio de uma assinatura eletrônica, ele precisou se licenciar do cargo já no primeiro dia do ano. Foi substituído pelo vice-prefeito, Rogério Cruz.

Seu mandato como prefeito encerrou antes que pudesse ser iniciado.

Vilela morreu na madrugada de quarta-feira, 13 dias após ser diplomado.

Ele se tornou uma entre as mais de 201 mil vítimas da covid-19 em seu país, doença que voltou com força, em forma de segunda onda, graças, em outros eventos, às aglomerações promovidas ao longo da campanha eleitoral. Outros candidatos foram contaminados na época, caso de Guilherme Boulos (PSOL), que disputou o segundo turno em São Paulo, mas que já se recuperou.

Vilela faria 72 anos no próximo dia 24.

A morte de um prefeito eleito em uma capital que passou parte da campanha hospitalizado e não chegou a iniciar o mandato acontece um dia depois de o governador de seu estado, Ronaldo Caiado (DEM), sancionar uma lei que veta a obrigatoriedade da vacina contra a covid-19 em Goiás. Ele decretou luto oficial de 3 dias por causa da morte do prefeito.

Durante a pandemia, Caiado já se afastou e já se reaproximou do presidente Jair Bolsonaro, símbolo do boicote dos esforços pelo controle da pandemia através do isolamento social e dos cuidados como uso de máscaras, que ele vê como um ataque à liberdade dos cidadãos.

O governador goiano é uma das vozes mais proeminentes contra o esforço do colega paulista, João Doria (PSDB), na busca por uma vacina.

Antes e durante a crise, comunicação de risco e discurso unificado foi tudo o que não se viu na classe política responsável por orientar a população. A morte de Vilela lembra que essa mesma classe política não está imune à doença que alguns fingem não existir. A discórdia não é apenas mesquinharia. É risco de vida.

Fonte: Yahoo Notícias

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